11.5.11

Tem de ser

 “Há uma especial Providência na queda de um pardal. Se há de ser agora, não será depois; se não for depois, há de ser agora; se não for agora, há de ser, todavia. Estar pronto é tudo. Uma vez que ninguém sabe o que virá, que importa que seja logo? Assim seja!” Hamlet, ato V, cena II. William Shakespeare.

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Todos os grandes mestres da nossa civilização já se viram em algum momento encalacrados com este dilema existencial. Tudo está escrito, o famoso TEM DE SER, ou nós fazemos nosso destino, e o mundo não passa de um imperativo de aleatoriedades caóticas sem qualquer significação? Um conto cheio de som e fúria significando NADA.
É claro que eu não pretendo responder A pergunta. Ainda preciso queimar muita estrada até me sentir vagamente confortável com a ideia de pensar em elaborar uma resposta. O que sei, recorrendo ao clichê, é que nada sei.
Agora, como tiro as maiores lições do cinema, eu coloco uma interessante prooposta de resposta, que já digo que de nada vincula, para trabalharmos essa pergunta. Seria um "start" na elaboração da resposta, que só vira no suspiro final.
Um dia o Forrest Gump me propôs o seguinte: Porque não fugir desta velha tendência ambivalente de achar respostas ou teses opostas? O cara me falou para trabalharmos com hipóteses mistas, isto é, uma espécie de malandragem brasileira que pega um pouquinho disso, um bocado daquilo e se propõe num modelo mais satisfatório.
Forrest responde àquela pergunta dizendo que na verdade o acaso é mera ferramenta do destino. O TEM DE SER age através da aleatoriedade, da falta de sentido. Se o universo tem como lei fundamental o fato de que o inesperado SEMPRE acontece, o destino traçado, marcado, esperado, se faz valer de seu oposto, o inesperado.
São os fatos aleatórios e sem sentido que produzem o sentido e a narrativa determinada no momento em que nascemos.
Quando aquela pena teima em voar sem qualquer plano de vôo, como num balé de improviso, ela está agindo no acaso. Porém, como todo o acaso da pena pontua o destino traçado do Forrest, ela, a pena, me explicou que não há destino sem acaso, e não há acaso sem destino.
O que tem de ser, tem de ser exatamente porque o inesperando sempre acontece. Não há porque colocar isso em dois polos distintos. A partir do momento que você aceitar a proposição do "idiota" corredor você vai entender melhor como correr da idiotice.
É mais ou menos como diz aquela canção, o acaso vai te proteger enquanto você andar distraído...


Um grande abraço para meus bróder"s", Shakespeare, Milan Kundera, Roberto DaMatta e Titãs.

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